Letras diversas

  • Minha estação

Volto sem saber se a certeza lá deixei

Volto pra buscar a verdade que não sei

Olhe pra mim, diga sim

Olhe pra mim, diga sim

Volto pra deixar tudo isso aqui de lado

Volto pra você

Eterna mentira que teimo em dizer

Olhe pra mim, diga sim

Olhe pra mim, diga sim …enfim

Tenho que reaprender

Me livrar de certa bagagem

Passar um tempo em solidão

Quem sabe chego na minha estação

Olhe pra mim, diga sim

Olhe pra mim, diga sim

  • Com saudade

Ah quanta saudade…

Te conheço de uma vida inteira?

Ah quanta saudade…

de um sorriso que valeu a pena

Ah quanta saudade

Deixo a melodia entrar

Ah quanta saudade

Quero lembrar devagar

Quem és tu, alma imensa

Cheia de amor

Quem és tu alma intensa

É pra ti que escrevo com fervor

Ah com saudade

Vivo em pensamento

Ah com saudade

Quero dias ligeiros

Quem és tu, alma imensa

Cheia de amor

Quem és tu alma intensa

É pra ti que escrevo com fervor

Ah com saudade

Vivo em pensamento

Ah com saudade

Quero dias ligeiros

Quem és tu?

You

Quem és tu?

You

Ë pra ti que escrevo com amor

  • Vai

Você parece entender

O meu dever de ser

Você parece entender

A minha alegria de viver

Você parece saber

Se eu pareço com você

Você parece saber

O que as palavras têm a oferecer

Você diz

Vai, busca saber

Porque a demora pra viver

Você diz

Vai, vai, vai

Porque a demora pra viver

Você parece dizer

Ame o que deseja ser

Você parece dizer

Toda a história pra valer

Você diz

Vai, busca saber

Porque a demora pra viver

Você diz

Vai, vai, vai

Porque a demora pra viver

  • Talvez não seja você

Se a noite tenta engolir você

Se a vida elegante não te dá mais prazer

Se até aquela velha estátua parece ver

Talvez não seja você

Se cada esquina traz novas promessas

Se cada jogo vira trapaça

Se acha ser uma pessoa de poder

Talvez o seu estado bruto tenha mais a dizer

Talvez não seja você

Aquele herói dos quadrinhos

Talvez não seja você

Aquele moço bonzinho

Talvez simplesmente não seja você

Se aquele velho rádio não sintoniza a mesma estação

Se o que fez por alguém vem sem gratidão

Se não reconhecem o teu brazão

Talvez não seja você

Talvez não seja você

Aquele herói dos quadrinhos

Talvez não seja você

Aquele moço bonzinho

Talvez simplesmente não seja você

  • Paraíso particular

Quero uma casa com varanda larga

Quero uma casa pra encher de amigos

Quero uma casa pra andar descalça

Quero uma casa pra caber contigo

Quero um paraíso aqui e agora

Quero um paraíso sólido e bonito

Quero você aqui comigo

Pra não lembrar que é finito

Quero uma tarde de primavera

Quero brisa em todo o recinto

Quero sol pela janela

Mas quero tudo isso contigo

Quero um paraíso aqui e agora

Quero um paraíso sólido e bonito

Quero você aqui comigo

Pra não lembrar que é finito

  • Invisível

Não tenho garantias do seu campo de visão

Posso ser uma anônima na multidão

Mas algo me diz

que o que vivemos não foi em vão

Mas algo me diz

que o que vivemos não foi em vão

Não me tornes invisível

Não quero ter este poder

Não me tornes invisível

Quero estar presente pra você

Nao me tornes invisivel… não

Nã nã nã nã …

Não tenho garantias desse jogo da paixão

Tudo pode ser pura ilusão

Mas algo me diz que

O que vivemos não foi em vão

Mas algo me diz que

O que vivemos não foi em vão

Não me tornes invisível

Antes de olhar

Não me tornes invisível

Porque quero te amar

Nao me tornes invisivel… não

Nã nã nã nã …

  • Ventos

Ventos que vem

Ventos que vão

Ventos que levam e trazem

Ventos que são brisas

E carregam calor

Onde quer que estejam, eu vou!

Ventos que não são ventos de vento

Vejo o destino a soprar

Emoçoes pelo ar

Vejo o movimento mudar

E me deixo levar

Ventos que vem

Ventos que vão

Ventos que levam e trazem

Ventos que são brisas

E carregam calor

Onde quer que estejam, eu vou!

Ventos que não são ventos de vento

Ventos que nao são feitos de vento

  • Ao Dormir

Hum… quero voce aqui

Hum… busco voce ao dormir

Eu que nunca imaginei

Eu que nunca concordei

Em ficar presa a ti

Agora laços fortes tem

agora as noites vao além

hum…quero voce aqui!

Ao dormir

estou em seus braços

Ao dormir

Em sonho vejo você

Ao dormir

Nao resisto ao misterio

E me entrego a você

Agora laços fortes tem

agora as noites vao além

hum…quero voce aqui!

Hum… busco voce ao dormir

Hum… quero voce aqui

Hum… busco voce ao dormir

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Composições EP Em movimento

  • Por esse amor

Por esse amor que me espera

Por esse amor de quimera

Vou pra todo o lugar

Viajo dentro do escuro

Caminho pelo luar

Por esse amor que me espera

Por esse amor de quimera

Vou pra todo o lugar

Num passo longe de tudo

Em busca de um novo mundo

Ai quem dera viver

Ao seu lado ficar

Encontrar em você

Tudo aquilo o que há

Ai quem dera poder

Em teus braços girar

Me perder em você

Sem saber o que há

E o que pode causar

(E o que posso encontrar)

Vai dizer que eu vou

Vai dizer que estou

Num certo lugar

Sem ter mais medo do escuro

Divido cada olhar

De mãos dadas e tudo

De volta pro nosso mundo

  • Suddenly us

I was going out tonight

I was feeling alright

Then I saw you

You were dressed up so nice

Too shy to look at you

Im sure you knew that

Suddenly you came to me

Suddenly you and I became something

I wanna have always here in my dreams

Didn’t wanna waste my time

So just left it all behind

When I saw you

You and I were made to be

Time will make us one

Don’t you see

Suddenly you came to me

Suddenly you and I became something

I wanna have always here in my dreams

Suddenly everything’s clear

Suddenly and here’s the thing

I wanna be always there in your dreams

I’m just waiting for you

To decide

I would savor you

As a fine wine

CHORUS

Stay with me baby

That’s all I need

Come to me honey

Let’s believe

  • Eu

Ah você disse que não

Ah você vai e vai pra longe

Fico a tentar de vez

Olhar pra mim

Andar por mim

Recomeço a viver a solidão que esperava

Eu tenho que ter as rédeas nessa estrada

Sem você, eu vou seguir

Sem você, vou e vou bem longe

Fico a saber de vez

Que não é, não é sempre assim

E encontrar um novo alguem

É facil

Sei que é facil de achar

Sem medo de errar

Sigo sem mais te amar

Sem medo de errar

Sigo sem mais te amar

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Em movimento – Bruna Repetto

Lançamento: Bruna Repetto

EP  Em Movimento

A gaúcha Bruna Repetto aposta na diversidade em seu primeiro trabalho, o EP “Em movimento”.  Num trabalho que deixa claro a sonoridade sofisticada das harmonias e flutua entre as influências do jazz e dos ritmos brasileiros, a cantora, de 30 anos, reinterpreta canções de George Gershwin e Jorge Drexler  e apresenta composições próprias. O disco conta com a colaboração de grandes músicos e amigos: Rodrigo Morte (Arranjador), Cindy Borgani (cantora), Alexandre Piccini (produtor), Guilherme Ribeiro (pianista). Bruno Migotto (baixista) Vitor Cabral (baterista) e  Guga Andrade (guitarra e violão).

“Em movimento” pontua os 6 anos de convívio intenso com o universo jazzistico em Sao Paulo, além da redescoberta pessoal da MPB. Como bem explica o título, o disco nasceu da necessidade de expressar os diversos momentos que passamos e da importância de estar sempre em movimento para se mostrar vivo e ativo.  Após anos cantando na noite, Bruna quis mostrar o que juntou nessa estrada.

As canções transitam entre diversos estilos. “Por esse amor” se apoia no arrasta pé do baião. “Suddenly Us”, composta em inglês, ganha pouco a pouco, em função da letra, uma pegada pop. A intimista “Eu”, tem uma sonoridade mais solta. Já a versão de Someone to watch over me, de Gershwin, foi escolhida pela conexão pessoal da cantora com a letra e o compositor. Por fim, Soledad, de Drexler, que foi escolhida de imediato pra entrar no projeto, após Bruna ouvi-la em um show de um amigo. De um modo geral, as letras falam de uma busca, por amor, por encontros, por conhecimento e por  tudo aquilo que nos faz entrar em movimento

Bio

Gaúcha de Porto Alegre, Bruna Repetto se interessou desde cedo por música. Aos 5 anos, já passava as tardes cantando na casa de uma vizinha pianista. Aos 18, iniciou seus estudos de canto erudito. Fez parte do coral da OSPA -Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.

Em 2000, Bruna viajou para Boston – EUA  para estudar teoria musical e canto na renomada universidade de música Berklee College of Music. Durante este período Bruna participou de jam sessions com professores e alunos da faculdade.

De volta ao Brasil, mudou-se São Paulo, onde atuou como cantora nas mais importantes casas de show. Fez inumeras temporadas de Duos e com Banda. Em 2006, ela graduou-se em música pela Faculdade Souza Lima & Berklee e foi convidada para lecionar canto no Conservatório de música Souza Lima.

Recentemente, gravou com Roberto Menescal. No momento, está trabalhando em novas composições e ensaiando seu proximo show, com músicas inéditas.

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A religação com a música

A palavra religião vem do latim religare (religar) e traz a idéia de ligação, união entre os homens ou entre homens e deuses. O vocábulo “música” vem da língua grega mousikê (musas). Para os gregos, música era a arte das musas – divindades da beleza -, era toda a cultura da educação da alma e estava ligada à vida social e à religião. Seguindo estes preceitos, a música pode ser sim uma religião, defende Alexander Milas: “Se a música, o heavy metal une as pessoas, porque não chamá-la de religião? “.

Milas é o criador da campanha Metal Britannia, que visa tornar o heavy metal uma religião reconhecida oficialmente no Reino Unido. Através da revista Metal Hammer (a qual é editor) e do site social Facebook (com mais de 28 mil seguidores adeptos à campanha),  a idéia é eleger o genêro ao status de religião no próximo Censo do país.

o comunicado oficial da revista inglesa Metal Hammer diz o seguinte: “Você é um defensor da fé? Você faz chifrinhos com mais frequência do que junta as mãos? Então você vai querer fazer parte da campanha Metal Britannia, para fazer com que os poderosos saibam disso”. O editor da revista, Milas, garante que a campanha não tem o objetivo de aumentar o números de vendas do gênero: “Queremos  é nos divertir e também levantar uma questão importante: O heavy metal sempre vencerá a batalha contra as pessoas que querem silenciar a nossa música e o nosso  estilo de viver”.

A fé no Brasil

No Brasil, ainda não houve campanha similar, mas a religíão parcece estar sendo eleita como “a bola da vez” pelo mercado fonográfico. A Sony Music Brasil que recentemente lançou um selo gospel tem fé no negócio, como destaca o diretor executivo do selo, Mauricio Soares:

- A fé é algo muito presente na cultura brasileira. A religião evangélica é um fenômeno social com crescimento exponencial em nossa sociedade. A Sony Music nos EUA já detém os principais selos e artistas do meio gospel e com este crescimento da música cristã no país a gravadora optou por implantar este novo projeto. Na verdade, no ambiente evangélico a música é parte integrante da liturgia dos cultos, ela é muito presente no dia a dia das pessoas e por isso a demanda vem crescendo mais e mais a cada dia.

Enquanto outros gêneros musicais enfrentam queda nas vendas, a música gospel, ao contrário, vem aumentando a sua participação, como explica Soares:

- As alterações do meio fonográfico estão sendo menos sentidas  no mercado gospel pelo fato de que o principal consumidor de CDs evangélicos estar localizado nas classes C,D,E, portanto com menor acesso ás inovações tecnológicas e mesmo à web. Também devemos levar em consideração que o público consumidor gospel cresce vertiginosamente a cada dia, o que influencia na demanda de compra e venda de produtos. Por fim, a questão da pirataria em nosso meio é bem menos significativa, pois as questões éticas são parte do pensamento cristão e como tal devem ser observadas com muita atenção.

Em relação ao interesse em associar a música à questão religiosa o produtor musical Liminha é enfático:

-       Não acredito muito em religiões, essa mania de achar que meu Deus é melhor que o seu, não leva a nada. As letras são chatas, só falam de um assunto.

Para Soares, a música gospel tem que ser tratada como música: “Temos a boa música e a música ruim. Só entendo que esta questão deva ser considerada, nada além disso! “

Para Milas, o heavy metal é um fenómeno global, uma força massiva cultural, assim como a religião. “Você não apenas ouve metal, você é metal. Se as pessoas definem sua identidade dessa maneira, então existem muitas similaridades com a fé” e cita um verso de uma música de Ozzy Osbourne : “O rock’n'roll é a minha religião e a minha lei”.

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Rock alternativo na ponte aérea

Diferentes atmosferas dentro da mesma canção, é assim que começa o disco, com a faixa The train. A guitarra costura um rock mais pesado com um pop suave, revelando influências de Radiohead, Depeche Mode e Bjork. O álbum independente, cantado em inglês, agora quer trilhar seu caminho de volta ao Brasil.

Virtual Jungle – Cycles, recém lançado nos Eua e com lançamento em breve no Brasil, é o segundo álbum da carreira do músico brasileiro radicado em Nova Iorque, Lucio Rebello.  Rock alternativo é como Lucio define o estilo do seu novo trabalho, com toques de jazz-funk, MPB e música eletrônica.

A música título do álbum, Cycles, recebeu clipe lançado no Youtube. Com  sonoridade eletrônica, música e imagem se unem de maneira sincronizada, remetendo a um clima cinematográfico. Lucio se formou em composição de trilha sonora na respeitada escola americana Berklee College of music – que já graduou artistas como Diana Krall, John Mayer e Quincy Jones – e desde então vem exercendo as funções de compositor, arranjador e “músico-banda”, tocando diversos instrumentos, do seu projeto autoral.

O primeiro Cd Virtual Jungle (2005) lançado somente nos EUA foi muito bem recebido pela critica local e passou então a tocar nos principais espaços do underground e  do rock nova-iorquino. Aliado a isso, o boca a boca gerado na internet também começou a receber apoio e elogios de músicos renomados, como Bryan Beller (baixista de Steve Vai) Mike Garson (tecladista de David Bowie), Rodney Holmes (baterista de Santana), Jimmy Earl (baixista  de Chick Corea).

- No primeiro álbum atirei em muitas direções, pra mostrar o que era capaz de fazer em diferentes estilos. Isso ainda acontece no novo Cd, mas de uma maneira mais concisa, esse disco é mais direto tanto na parte instrumental quanto nas letras e vocais – explica e acrescenta – Acho que errei ao divulgar o primeiro disco só aqui nos EUA, tem muito mercado pro meu som também no Brasil e na Europa.

O artista independente

Lucio, que mora há mais de dez anos nos EUA, falou que o artista independente ainda parece ter mais espaço no exterior: “Talvez haja uma receptividade maior aqui para o trabalho autoral. No Brasil, se privilegia intérpretes e uns poucos empresários mandam no mercado. Aqui é mais diversificado”.

O fato de ser um artista independente, que muitas vezes reúne diversas funções, desde a produção até a divulgação do material, tem suas vantagens e desvantagens salienta Rebello:

- Acho que a única vantagem foi que realmente ficou com a minha cara. Mas não penso em repetir a experiência, ao menos não exatamente da mesma maneira. Foi desgastante demais. No próximo, espero ter ao menos um co-produtor, que ajude na parte técnica de gravação e produção.

Quanto ao auxílio de facilitadores, como a internet e os homestudios, na democratização do cenário musical, Lucio é enfatico: “A tecnologia acessível a todos é uma faca de dois gumes: Mais fácil pra se gravar, mas muito mais dificil pra se conquistar um público, pois a competição aumentou 1000 vezes”.

O músico pretende vir ao Brasil em breve para realizar shows de lançamento do álbum e ainda procura o empresário certo para representa-lo no seu país de origem.

- Acho que o mercado brasileiro está se modificando, os empresários e as grandes gravadoras já perceberam que o Brasil não é só “música pra pular”. Há um imenso espaço, quase inexplorado, de música popular mais refinada e não estou falando só de MPB. A própria cena da música eletrônica no Brasil vem crescendo muito.

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Pop de bombacha

rock de galpão

A fusão inusitada já aparece no cenário do palco, onde gauchíssimas rodas de carretas e cabeças de gado dividem espaço com baterias, amplificadores de guitarra e outros instrumentos elétricos. Em meio a uma decoração que parece saída de um CTG (Centro de Tradições Gaúchas), o vocalista declama O bochincho, de Jayme Caetano Braun, poeta e playador nascido na região das Missões, e eternizado pelos folcoristas por sua narração apaixonada da vida campeira e dos modos gaúchos.

Sua voz se ergue com a impostação própria dos declamadores nativistas, e poderia ser facilmente associada a um típico evento do gênero, não fosse o som pesado das guitarras e baterias que a acompanham.

A combinação inusitada do folclore gaúcho com o rock ganha corpo com o lançamento, em CD e DVD, de Rock de Galpão – Ao vivo. Surgido há quatro anos da união entre o músico Neto Fagundes e a banda noventista Estado das Coisas, o projeto combina dois universos antagônicos.

Apropria-se de elementos e sonoridades roqueiras para apresentar um repertório de canções conhecidas da tradição riograndense.

– Eu sempre gostei de misturar a música gauchesca com outros estilos – conta Fagundes.

– Já dei canja com Jair Rodrigues, com a turma do hip hop e colegas de estilos diferentes. Gosto de levar a nossa cultura para onde ela normalmente não vai. Sou agregador de praias.

O projeto nasceu em uma das principais casas noturnas de Porto Alegre, em 2006. Neto Fagundes e o Estado das Coisas se reuniam para reler canções do cancioneiro regional, clássicos dos festivais de música nativa e da música popular gaúcha dos anos 80. O repertório incluía um grupo diverso de compositores, de Lupicínio Rodrigues a Vitor Ramil, passando por Elton Saldanha, entre outros.

Em 2008, Hique Gomez, do espetáculo Tangos & Tragédias, ingressou no projeto como diretor musical, trazendo algumas mudanças ao projeto inicial. Ele explica que o espaço de cada instrumento precisa ser mantido, para que o folclore fique absolutamente preservado dentro de sua forma contemporânea.

– Hoje temos uma gaita conversando com a guitarra de igual pra igual. Mas o que faz a diferença é que a alquimia dos músicos se processa de uma forma muito natural – analisa Gomez.

– O folclore é justamente a expressão da natureza humana em um determinado local. Vemos que a natureza hoje está em convulsão e jogando a consciência do homem para outras dimensões, e isso aparece na forma como o grupo se expressa.

Entre as referências musicais que também fizeram a mistura do regional com o pop, Fagundes destaca Chico Science e a Nação Zumbi e Pedro Luis e a Parede.

– A cultura do frevo e do maracatu me parecem mais presentes na cena nacional, que as milongas e chamanés que a gente faz aqui – salienta, explicando que a fusão de estilos já ocorre há muitos anos, mas sempre será necessário ser refeita. – É uma forma de nomear uma expressão artística, que carrega todo um passado de tradições e o joga para o hiperespaço. No caso, o que fazemos eu chamo de Hiperpampa.

A fórmula para se obter um bom resultado, de acordo com os integrantes, é ser espontâneo, já que, como enfatiza Hique, “O público saca quando existe espontaneidade, ele se identifica porque é a natureza humana falando com a mãe natureza”. Líder da banda O Estado das Coisas, Thiago Ferraz lembra que, no início, o projeto causava certa estranheza para o público.

– Ninguém conseguia imaginar o resultado. Mas depois de ver o show, todomundo se emociona – comenta Ferraz. – Acerta em cheio os mais velhos pela nostalgia e os mais novos pela releitura mais contemporânea.

Pra quem não conhece o folclore gaúcho, com certeza, as músicas vão soar como algo novo, um som diferente e elaborado.

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