
A palavra religião vem do latim religare (religar) e traz a idéia de ligação, união entre os homens ou entre homens e deuses. O vocábulo “música” vem da língua grega mousikê (musas). Para os gregos, música era a arte das musas – divindades da beleza -, era toda a cultura da educação da alma e estava ligada à vida social e à religião. Seguindo estes preceitos, a música pode ser sim uma religião, defende Alexander Milas: “Se a música, o heavy metal une as pessoas, porque não chamá-la de religião? “.
Milas é o criador da campanha Metal Britannia, que visa tornar o heavy metal uma religião reconhecida oficialmente no Reino Unido. Através da revista Metal Hammer (a qual é editor) e do site social Facebook (com mais de 28 mil seguidores adeptos à campanha), a idéia é eleger o genêro ao status de religião no próximo Censo do país.
o comunicado oficial da revista inglesa Metal Hammer diz o seguinte: “Você é um defensor da fé? Você faz chifrinhos com mais frequência do que junta as mãos? Então você vai querer fazer parte da campanha Metal Britannia, para fazer com que os poderosos saibam disso”. O editor da revista, Milas, garante que a campanha não tem o objetivo de aumentar o números de vendas do gênero: “Queremos é nos divertir e também levantar uma questão importante: O heavy metal sempre vencerá a batalha contra as pessoas que querem silenciar a nossa música e o nosso estilo de viver”.
A fé no Brasil
No Brasil, ainda não houve campanha similar, mas a religíão parcece estar sendo eleita como “a bola da vez” pelo mercado fonográfico. A Sony Music Brasil que recentemente lançou um selo gospel tem fé no negócio, como destaca o diretor executivo do selo, Mauricio Soares:
- A fé é algo muito presente na cultura brasileira. A religião evangélica é um fenômeno social com crescimento exponencial em nossa sociedade. A Sony Music nos EUA já detém os principais selos e artistas do meio gospel e com este crescimento da música cristã no país a gravadora optou por implantar este novo projeto. Na verdade, no ambiente evangélico a música é parte integrante da liturgia dos cultos, ela é muito presente no dia a dia das pessoas e por isso a demanda vem crescendo mais e mais a cada dia.
Enquanto outros gêneros musicais enfrentam queda nas vendas, a música gospel, ao contrário, vem aumentando a sua participação, como explica Soares:
- As alterações do meio fonográfico estão sendo menos sentidas no mercado gospel pelo fato de que o principal consumidor de CDs evangélicos estar localizado nas classes C,D,E, portanto com menor acesso ás inovações tecnológicas e mesmo à web. Também devemos levar em consideração que o público consumidor gospel cresce vertiginosamente a cada dia, o que influencia na demanda de compra e venda de produtos. Por fim, a questão da pirataria em nosso meio é bem menos significativa, pois as questões éticas são parte do pensamento cristão e como tal devem ser observadas com muita atenção.
Em relação ao interesse em associar a música à questão religiosa o produtor musical Liminha é enfático:
- Não acredito muito em religiões, essa mania de achar que meu Deus é melhor que o seu, não leva a nada. As letras são chatas, só falam de um assunto.
Para Soares, a música gospel tem que ser tratada como música: “Temos a boa música e a música ruim. Só entendo que esta questão deva ser considerada, nada além disso! “
Para Milas, o heavy metal é um fenómeno global, uma força massiva cultural, assim como a religião. “Você não apenas ouve metal, você é metal. Se as pessoas definem sua identidade dessa maneira, então existem muitas similaridades com a fé” e cita um verso de uma música de Ozzy Osbourne : “O rock’n'roll é a minha religião e a minha lei”.