Rock alternativo na ponte aérea

Diferentes atmosferas dentro da mesma canção, é assim que começa o disco, com a faixa The train. A guitarra costura um rock mais pesado com um pop suave, revelando influências de Radiohead, Depeche Mode e Bjork. O álbum independente, cantado em inglês, agora quer trilhar seu caminho de volta ao Brasil.

Virtual Jungle – Cycles, recém lançado nos Eua e com lançamento em breve no Brasil, é o segundo álbum da carreira do músico brasileiro radicado em Nova Iorque, Lucio Rebello.  Rock alternativo é como Lucio define o estilo do seu novo trabalho, com toques de jazz-funk, MPB e música eletrônica.

A música título do álbum, Cycles, recebeu clipe lançado no Youtube. Com  sonoridade eletrônica, música e imagem se unem de maneira sincronizada, remetendo a um clima cinematográfico. Lucio se formou em composição de trilha sonora na respeitada escola americana Berklee College of music – que já graduou artistas como Diana Krall, John Mayer e Quincy Jones – e desde então vem exercendo as funções de compositor, arranjador e “músico-banda”, tocando diversos instrumentos, do seu projeto autoral.

O primeiro Cd Virtual Jungle (2005) lançado somente nos EUA foi muito bem recebido pela critica local e passou então a tocar nos principais espaços do underground e  do rock nova-iorquino. Aliado a isso, o boca a boca gerado na internet também começou a receber apoio e elogios de músicos renomados, como Bryan Beller (baixista de Steve Vai) Mike Garson (tecladista de David Bowie), Rodney Holmes (baterista de Santana), Jimmy Earl (baixista  de Chick Corea).

- No primeiro álbum atirei em muitas direções, pra mostrar o que era capaz de fazer em diferentes estilos. Isso ainda acontece no novo Cd, mas de uma maneira mais concisa, esse disco é mais direto tanto na parte instrumental quanto nas letras e vocais – explica e acrescenta – Acho que errei ao divulgar o primeiro disco só aqui nos EUA, tem muito mercado pro meu som também no Brasil e na Europa.

O artista independente

Lucio, que mora há mais de dez anos nos EUA, falou que o artista independente ainda parece ter mais espaço no exterior: “Talvez haja uma receptividade maior aqui para o trabalho autoral. No Brasil, se privilegia intérpretes e uns poucos empresários mandam no mercado. Aqui é mais diversificado”.

O fato de ser um artista independente, que muitas vezes reúne diversas funções, desde a produção até a divulgação do material, tem suas vantagens e desvantagens salienta Rebello:

- Acho que a única vantagem foi que realmente ficou com a minha cara. Mas não penso em repetir a experiência, ao menos não exatamente da mesma maneira. Foi desgastante demais. No próximo, espero ter ao menos um co-produtor, que ajude na parte técnica de gravação e produção.

Quanto ao auxílio de facilitadores, como a internet e os homestudios, na democratização do cenário musical, Lucio é enfatico: “A tecnologia acessível a todos é uma faca de dois gumes: Mais fácil pra se gravar, mas muito mais dificil pra se conquistar um público, pois a competição aumentou 1000 vezes”.

O músico pretende vir ao Brasil em breve para realizar shows de lançamento do álbum e ainda procura o empresário certo para representa-lo no seu país de origem.

- Acho que o mercado brasileiro está se modificando, os empresários e as grandes gravadoras já perceberam que o Brasil não é só “música pra pular”. Há um imenso espaço, quase inexplorado, de música popular mais refinada e não estou falando só de MPB. A própria cena da música eletrônica no Brasil vem crescendo muito.

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